Alen Halilović
A dia 13 de cada mês relembro um jogador que por algum motivo não atingiu o patamar que o seu potencial previa. Hoje é Alen Halilović. Esteve em 8 países, mas nunca conseguiu brilhar como em Zagreb!
Quem é que não se lembra de iniciar um modo carreira no FIFA e contratar os talentos com maior potencial do futebol mundial? Comprar e fazê-lo brilhar numa equipa de craques até conquistar todos os títulos possíveis.
Isto era o que se fazia no FIFA 15 com… Alen Halilović!
O talento croata era visto desde muito novo como um dos maiores talentos do seu país. Encantou na formação do Dinamo Zagreb e com 16 anos já jogava na equipa principal.
Hoje em dia, poucos conhecem o croata e aos 29 anos, defende as cores do Fortuna Sittard, com uma carreira que pouco ou nenhum protagonismo teve…
Alen Halilović nasceu a 18 de junho de 1996 e desde novo sentiu o sabor do futebol no seio familiar. Nasceu na Croácia, mas o seu pai, Sejad Halilović, era bósnio e ex-jogador de futebol, tendo jogado não só na Croácia mas também em países como Israel, Espanha, Eslovénia e Turquia.
A inspiração e a apetência para o desporto rei, talvez tenha vindo da família, mas a qualidade técnica, a criatividade e a visão de jogo não se via em mais lado nenhum. Aos 16 anos estreou-se na equipa principal do Dinamo Zagreb e o talento que vinha do seu pé esquerdo, levou inevitavelmente às comparações com Lionel Messi… mesmo antes de saber que seriam, um dia, colegas de equipa!
Irreverência brutal, drible curto, magia pura. Aquele baixo centro de gravidade e as características que tinha, cedo o levaram a grandes palcos… como a seleção nacional. Tornou-se o mais jovem de sempre a estrear-se pela seleção croata e era o início de uma história que o levaria a voos imagináveis…
Com 18 anos, chegava ao Barcelona. O estilo tecnicista e apreciado pelo futebol espanhol levaria o mundo a imaginar que jogar nos blaugrana seria o passo certo a dar para um jovem que passaria do futebol croata para uma realidade onde via Messi, Xavi, Iniesta, Busquets e outros tantos da geração de ouro do Barça.
Ainda assim, e como já se esperava, a primeira temporada foi mesmo a jogar pela equipa B, onde foi colega do ex-Benfica Grimaldo ou até de Adama Traoré. Fez a sua estreia na equipa principal já em janeiro de 2015, frente ao Elche e nesse ano, o Barcelona não só seria campeão espanhol e vencedor da Taça do Rei, como também conquistava a Liga dos Campeões.
Na época seguinte, Halilović seguia por empréstimo para o Sporting Gijón, de forma a somar minutos e a adaptar-se mais rapidamente ao contexto da LaLiga. Teve 10 contribuições para golo em 37 jogos e iniciou a pré-temporada seguinte de novo em Barcelona. E foi a partir daí que… tudo se desmoronou.
A impaciência do jovem croata e o mau acompanhamento que teve em seu redor para tomar as melhores decisões, decidiu em 2016/17 sair do Barcelona em definitivo pela falta de espaço no plantel… que era inevitável quando tinha a concorrência de grandes nomes do futebol mundial.
Forçou a saída e rumou ao Hamburgo, que desembolsou 5 milhões de euros, na esperança de criar as perfeitas condições para o croata brilhar… mas ao fim de alguns meses, já estava novamente em Espanha, para jogar por empréstimo no Las Palmas. O mau momento do clube alemão, aliado à mudança de equipa técnica, fê-lo perder espaço no grupo e ir à procura de algo noutro contexto.
O início foi promissor. Foi um dos jogadores mais importantes na manutenção do Las Palmas na LaLiga na primeira época em que lá esteve, mas na segunda não evitou a descida, teve uma fase com lesões e inconsistência exibicional, um par de expulsões e os 21 jogos que fez, não agradaram a estrutura do Las Palmas, e muito menos a do Hamburgo que, após essa época, rescindiu o contrato com Alen Halilović.
Chegados a 2018, aparece uma oportunidade para relançar a carreira no mais alto patamar do futebol italiano. O AC Milan que procurava reerguer-se de tempos difíceis, apostava numa política de contratações que ia em busca de jovens talentos e Alen Halilović acabaria por rumar aos rossoneri. Mas… acabaria por ser tudo igual.
Pouco espaço, pouca consistência e, por consequência, um novo pedido de empréstimo. Seguiu para o Standard Liège, seis meses depois estava novamente em Milão e a isso seguiu-se um outro empréstimo, para o Heerenveen, nos Países Baixos.
Por lá tentou encontrar o ritmo que pretendia, fez 19 jogos na Eredivisie, mas depois termina o empréstimo e a par do que aconteceu em Hamburgo, terminava também a ligação com o AC Milan de forma definitiva.
A carreira não parou de o levar para outras realidades e por isso, rumou a Inglaterra, para jogar no Birmingham City. A época, coletivamente, não correu como esperado, mas a intenção do clube era mesmo de renovar com o croata.
Contudo, Halilović recusou por querer voar para outros contextos maiores, em termos competitivos. Seguiu-se então o Reading, também do Championship, mas mais uma vez, as lesões comprometeram o seu percurso, e no final da temporada ficou novamente sem clube para jogar.
Regressou ao Rijeka, da Croácia, numa possível tentativa de reencontrar a zona de conforto que outrora o lançou para uma carreira internacional, em 2014.
Com 26 anos, Alen voltava ao futebol croata numa tentativa de se voltar a apaixonar pelo desporto. Infelizmente, os minutos foram poucos, e uma pneumonia agravou ainda mais esta fase. Perante o azar, pediu para rescindir e ficou livre durante alguns meses. Uma pequena pausa no futebol e no mundo que demasiada pressão colocou nos seus ombros para corresponder… às expectativas de todos os que, desde o FIFA 15, espantavam-se com a sucessão de maus momentos que se acumulavam na carreira de alguém que tinha tudo para ser… o Messi croata!
Durante a sua interrupção na carreira que conseguiu finalmente refletir sobre o seu trajeto no futebol. Recebeu um convite de Fabregàs, treinador da atual surpresa, Como, de Itália, para treinar à experiência com a sua equipa e ir em busca do ritmo desejado.
Assinou contrato com o Fortuna Sittard, dos Países Baixos, onde vai cumprindo a sua terceira temporada consecutiva, o clube onde mais tempo esteve desde o seu percurso no Dinamo. Aos 29 anos, Halilovic é um jogador com bastante experiência nos melhores campeonatos da europa (Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra, Países Baixos), mas certamente consciente daquilo que poderia ter sido...
A sua história é mais um exemplo da precocidade no futebol. Do que as comparações a grandes talentos do futebol podem desafiar o equilíbrio mental de um jogador que, tal como as estrelas, tiveram o seu tempo para chegar ao topo. Halilovic ficou pelo caminho, assim como Bojan, Macheda ou Pato.
Regressamos no próximo mês, com mais um nome que possam recordar de forma infeliz e como exemplo a não replicar…







