Federico Macheda
Potencial extraordinário, que fez por mostrar na sua estreia quando marca o golo da vitória sobre o Aston Villa nos descontos. Marcou na jornada seguinte e depois... desapareceu. Eis Federico Macheda!
A 5 de abril de 2009, numa fantástica tarde em Old Trafford, Federico Macheda entrava aos 61 minutos de jogo, frente ao Aston Villa, para fazer a sua estreia na equipa principal do Manchester United, comandada na altura por Sir Alex Ferguson.
O resto… é história!
Depois de 2 golos de Cristiano Ronaldo, o empate instalava-se como sentença para um resultado que seria castrador para a luta pela Premier League. Até que aos 90+3’, Macheda recebe já dentro da área um passe de Giggs de costas para a baliza, e num movimento rápido a rodar, atira de imediato à baliza num remate em arco que foge do guarda-redes e atinge o poste, antes de entrar.
Estádio abaixo e emoções à flor da pele. Imagina estreares-te na Premier League e pelo Manchester United, e marcares o golo da vitória que celebras junto a lendas como Cristiano Ronaldo, Giggs, Rooney e outros tantos… foi o que o avançado italiano viveu, com o número 41 às costas.
Se todo esse momento não tivesse criado expectativas suficientes a todos, Federico Macheda fez questão de entrar frente ao Sunderland na jornada seguinte, e fazer outra vez o golo da vitória, exatamente um minuto depois de entrar.
17 anos, o mundo a falar dele. Tinha tudo para ser um ícone em Manchester, mas o auge da sua carreira foram mesmo estes dois jogos…
Federico Macheda nasceu em Roma, em 1991, e a paixão pelo futebol desde novo levou-o a escolher o lado azul da capital italiana: a Lazio. Iniciou o seu trajeto na formação biancocelesti onde esteve até aos seus 17 anos. 2008 é o ano em que o Manchester United o contrata depois de muito despoletar o interesse no jovem avançado. Em Itália, os adeptos da Lazio estavam insatisfeitos com a incapacidade do clube segurar uma das maiores promessas da sua formação.
Kiko, como mais tarde ficaria conhecido, fez as malas e rumou a Inglaterra.
Em Carrington, fez vários golos na formação e a sua preponderância chegou aos ouvidos de Sir Alex Ferguson, que nessa época o sobe à equipa principal para treinar com os melhores. Uma equipa sensacional, campeã europeia na época anterior e com alguns dos melhores jogadores do mundo, recebia o italiano com a expectativa de o próprio poder beber muito da experiência dos demais.
A estreia, foi como foi. A jornada seguinte, dava a certeza que se estava perante um jogador especial. Alguém que tinha a capacidade de, em pouco tempo, dar a volta à situação e garantir os 3 pontos…
Contudo, acabou por não se confirmar. Após época e meia a jogar em Manchester, Sir Alex considerou que um empréstimo a um clube inglês podia ser ideal para a evolução de Federico. Um clube onde pudesse jogar frequentemente, ao mesmo tempo que se adaptava à Premier League. O italiano aceitou, mas não para Inglaterra. Queria mostrar-se em outro contexto europeu e em janeiro de 2011 abriu-se a possibilidade de rumar à Sampdoria. Seguiu viagem, mas por lá não encontrou tempos fáceis.
A equipa italiana acabaria por descer à Serie B e Federico Macheda não foi poupado às críticas. Fez 1 golo em 16 jogos e esteve longe de se apresentar ao nível do seu antecessor, Antonio Cassano, que sairia no ano anterior.
No verão seguinte, houve regresso a Manchester mas já não com a mesma importância. Entre agosto de 2011 e 2014 esteve por empréstimo em clubes como Queens Park Rangers, Stuttgart, Doncaster Rovers e Birmingham City. Em nenhum deles conseguiu mostrar um nível consistente e idêntico ao que fez reluzir os olhos dos adeptos do Manchester United naquelas duas jornadas consecutivas.
Em 2014, rescindiu finalmente com o Manchester United para seguir em definitivo para um novo projeto. Viajou para Cardiff e reencontrou Ole Gunnar Solskjær, que havia sido seu treinador nas camadas jovens nos Red Devils e que confiou no seu potencial. Parecia que a história escrevia-se num capítulo que tinha tudo para ser uma nova era na sua carreira, mas voltou a estar aquém das expectativas, acabando por rescindir contrato, dois anos depois.
Esteve ainda no Novara durante duas épocas e depois chegaria finalmente um momento mais estável da sua carreira na Grécia, ao serviço do Panathinaikos. Reencontrou a veia goleadora que mostrara em jovem e apontou 40 golos em 4 épocas no clube, conquistando ainda a Taça da Grécia no seu último ano no clube. Acabou por ser uma passagem especial onde durante 4 anos reencontrou também o seu melhor momento e alegria de jogar.
Nos anos seguintes aventurou-se pela Turquia, para jogar no Ankaragücü, e posteriormente no Chipre, ao serviço do APOEL. Em 2024, regressou à Grécia, para jogar no Asteras Tripolis.
Atualmente, Macheda representa o clube grego que é penúltimo na Liga Grega, e onde se encontra desde o início da temporada passada. Desde então soma 8 golos e 4 assistências em 32 jogos feitos pelo Asteras Tripolis.
Tem mais de 400 jogos na carreira e esteve em 7 países diferentes em busca de encontrar a chama que havia mostrado naquela fase final de época em Manchester. Uma carreira de altos e baixos que é exemplo para as gerações atuais e futuras de futebolistas. No desporto, é preciso mais do que talento. A atitude competitiva, o trabalho diário, mas sobretudo a mentalidade para encarar os momentos difíceis e não se iludir nos momentos felizes, é a chave para o sucesso. E Federico Macheda, tal como os restantes que complementam esta rubrica, não conseguiram lá chegar!






